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Ilhabela tem uma longa história de iniciativas voluntárias na área sócio-ambiental. Muitos de nós, moradores e veranistas, conhecemos pessoas que atuam ou já atuaram em prol de nossa cidade.

Entretanto, por falta de registro e de comunicação, muitas vezes essas ações não chegam ao conhecimento público. O objetivo desta área do site do Movimento Nossa Ilha Mais Bela é registrar e difundir iniciativas, tanto de indivíduos quanto de empresas e instituições, que podem servir de inspiração e de modelo.

Se você conhece o trabalho de alguma instituição ou a história de algum morador que merece ocupar este espaço, envie um e-mail para contato@nossailhamaisbela.org.br.

Abaixo, divulgamos um exemplo que vem de outro município. Em breve, outros exemplos serão disponibilizados aqui.

Manga sai do vermelho
Vem de Minas um exemplo de gestão que está dando certo

Aplicar técnicas de gestão empresarial na administração pública não só é possível, como dá certo. A constatação foi feita pelo deputado estadual Arlen Santiago (PTB), ao divulgar em reunião de prefeitos os primeiros resultados que começam a ser obtidos no município de Manga, de 21 mil habitantes, na região Norte de Minas Gerais. Enquanto a maioria dos municípios se queixa da falta de recursos e anda de pires na mão, em Manga o novo modelo de gestão já está fazendo sobrar cerca de R$ 200 mil por mês para investimentos em obras com recursos próprios. Santiago quer que a experiência de Manga se dissemine entre os municípios.

Proprietário de postos de gasolina e distribuidoras de bebidas, o atual prefeito de Manga, Joaquim de Oliveira Sá Filho, o "Quinquinha", assumiu a administração do município em maio deste ano. Sucedeu a Carlos Humberto dos Gonçalves Di Salles e Ferreira, cassado pelos vereadores por improbidade administrativa. Servidores sem receber pagamento há vários meses, máquinas e equipamentos sucateados e as finanças públicas à beira do colapso foram apenas alguns dos problemas que ele encontrou pela frente.

Quinquinha levou para a Prefeitura de Manga o modelo de gestão que adota em suas empresas. Nelas ele centraliza as decisões mais importantes, mas distribuiu responsabilidades, acompanha e cobra diariamente resultados. Todos os dias, passa horas ao telefone, corrigindo rumos, checando informações, verificando se as providências determinadas estão sendo cumpridas e verificando se está havendo resultados. "Quando assumi, muitos prefeitos experientes, com vários anos na vida pública, me desaconselharam. Disseram que era impossível administrar uma Prefeitura, como se administra uma empresa. Acontece que eu nunca tinha administrado Prefeitura. Só sabia administrar empresas. Daí não tive escolha. Levei para a administração pública o modelo de gestão empresarial, e está dando certo", diz Quinquinha.

Enfrentar a gastança e o desperdício foi o primeiro desafio a ser vencido. "Por dia, a contabilidade da Prefeitura de Manga recebia cerca de 30 a 40 notas fiscais de produtos e serviços teoricamente adquiridos. Atualmente, contabiliza entre 30 e 40 notas fiscais por mês", revela. Apenas com combustível, o gasto da Prefeitura caiu de R$ 18 mil para R$ 6 mil por mês. O exemplo veio de cima. O carro do gabinete só é usado pelo prefeito em viagens oficiais. "Se numa viagem eu tiver que resolver problemas de interesse do município e também assuntos particulares, o veículo oficial fica na garagem e viajo em meu próprio carro", afirma.

Quinquinha reconhece que as coisas ainda não estão no ponto ideal. Ele admite que nem todas as "torneiras" da gastança e do desperdício estão totalmente fechadas. "Esse é um processo que leva tempo. Temos que ir vencendo as resistências e os problemas, um de cada vez", ele diz. Ainda há muitos desafios a serem vencidos, admite, mas a economia de R$ 200 mil por mês feita até agora tem proporcionado ao município o que até alguns meses atrás era impensável: a sobra de dinheiro. "São cerca de R$ 200 mil por mês que estão sobrando para investimentos. Manga nunca viu isso antes", comemora.

Com o dinheiro que sobra, a Prefeitura de Manga adquiriu recentemente três novos ônibus para o transporte de estudantes. Está terminando reforma completa do maior estabelecimento de ensino do município, o Caic. As máquinas e veículos que podiam ser recuperados foram reformados. O próximo passo será a reformar praças e calçamento de ruas, inclusive de um complexo de lazer para crianças e jovens, cujo destaque será uma pista para a prática de skate. Tudo sem um centavo dos governos estadual e federal, só recursos próprios. O prefeito conta que, quase pelo mesmo valor que a Prefeitura ia gastar para reformar um imóvel pertencente a um parente do ex-prefeito, destinado a abrigar o INSS, a atual administração adquiriu um prédio para ceder àquele órgão. A reforma estava orçada em R$ 30 mil, o prédio foi adquirido por R$ 42 mil.

Apesar dos resultados obtidos até agora, o preço político pago por causa da implantação dessa nova modalidade de gestão é alto. "Sei que se fizer uma pesquisa em Manga, hoje, eu talvez não apareça bem colocado", admite. Ele reconhece que precisou tomar muitas medidas impopulares. Como exemplo, cita que "caminhão-pipa da Prefeitura não leva mais água para fazendeiro dar de beber ao gado, enquanto comunidades inteiras ficavam sem água". Quinquinha constata que "o povo habituou-se a pedir coisas que um prefeito não pode atender, porque servem apenas a um ou outro indivíduo, e não á coletividade". Se para o político é difícil dizer "não", para o empresário isso é quase uma rotina.

"Daqui há algum tempo, quando as pessoas começarem a ver as obras sendo realizadas, calçamentos, escolas, praças, etc, tenho certeza que a popularidade vai aumentar", finalizou.